sexta-feira, 1 de abril de 2011

O verdadeiro Arquiteto e Urbanista




        Então, você decidiu ser arquiteto. Logo pensa no status de fino, inteligente e bem relacionado não é? É linda uma profissão onde o que realmente importa é a criatividade, a identidade do projeto, a forma; ou seja, se expressar a partir de uma sala climatizada em algum escritório de renome, não acha? NÃO! Não é nada disso.
        Fica clara a realidade atual dessa profissão quando se pesquisa por vagas nos vários segmentos da construção civil e são escassos os resultados para Arquitetos e Urbanistas. Se essa vaga existe, normalmente é pra fazer aquele pseudo-papel de vendedor disso, representante daquilo ou escolhedor daquilo outro. E o Urbanista? Ah, a conotação que ecoa é de: ‘Faça Arquitetura e leve o Urbanismo inteiramente grátis!’.  
        Essa defasagem, claro, tem motivações como: baixa qualidade de ensino, falta de representatividade, desconhecimento por parte do público, falta de comunicação entre profissionais, etc. Mas a fundamentante causa dessa ser uma classe à margem do mercado é o fato dos Arquitetos e Urbanistas não quererem assumir seu papel de construtores.

         Os Arquitetos deveriam estar no topo da pirâmide do setor da construção, entretanto, atualmente são os primeiros profissionais a serem cortados de planos de urbanismo ou grandes empreendimentos. Nosso problema é a falta de vontade de subir no andaime, de sujar a bota de barro, de colocar as mãos na massa. Isso mesmo, vontade, porque em matéria de formação para construção, nossos colegas engenheiros estão tão perdidos quanto nós.
        Disciplinas extremamente teóricas sobre controle tecnológico de materiais, métodos construtivos, cálculos estruturais e afins não autorizam ninguém a se responsabilizar pela materialização do projeto. Mas, como nossos colegas engenheiros civis não podem se dar ao luxo de pensar que a criatividade sobrepõe a técnica,  assim que se formam vão direto para o canteiro passar vergonha frente aos mestres de obras. E os Arquitetos? Permanecem quietinhos e sentadinhos no muro das lamentações.
         Se você está se graduando em Arquitetura e Urbanismo, ou pior ainda, já é formado e ainda não sabe suas reais atribuições, você contribui para essa desmoralização profissional. O CAU, que vamos falar em um próximo post, é uma tentativa de reverter todas essas negatividades, mas, de nada adianta uma Lei 12.378 bem elaborada se não houver uma mudança de postura dos profissionais. 

         Chega de ser um profissional raso, chega de aceitar que tomem nosso papel no mercado de trabalho. Capacitem-se, tecnizem-se, discordem, vão atrás, talvez assim ainda poderemos ser verdadeiros Arquitetos e Urbanistas.